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Campeonato Mundial de Torra de Café 2022

A Cropster tem a satisfação de voltar a apoiar e patrocinar, presencialmente, o Campeonato Mundial de Torra de Café 2022 em Milão. Aproveitamos para analisar os perfis das torras que ocuparam os três primeiros lugares da competição deste ano.

Sobre o Concurso

No World Coffee Roasting Championship (WCRC), os concorrentes são avaliados em três elementos-chave: a classificação do grão verde (avaliação da qualidade do café verde), o desenvolvimento de um perfil capaz de destacar as características desejáveis dos cafés, e a obtenção do melhor resultado sensorial na prova de xícara. Para saber mais sobre o concurso, visite o site do WRC.

Equipamento oficial

A Stronghold entrou com os torradores de amostra e a Giesen com uma linha de torradores de produção W6A, de diversas cores, todos equipados com o Roasting Intelligence da Cropster. Graças à tecnologia 'plug and play', os torradores da Giesen se conectam facilmente ao Roasting Intelligence da Cropster via cabo Ethernet. No caso das empresas de torrefação, esta configuração é totalmente compatível com o Assistente de replicação e controle de gás da Cropster (porém, a pedido da World Coffee Events, desativamos essas funções para acirrar ainda mais a competição).

Observações importantes

Os concorrentes tinham a opção de acompanhar eventos como o Primeiro Estalo e a Alteração de Cor com a Cropster.
O Primeiro Estalo aperece nos perfis abaixo quando os concorrentes usaram a Cropster para monitorar este tipo de variável.
As demais "bolhas" no gráfico destacam os comentários, como os de alteração de gás. 
O sistema registra automaticamente as alterações de gás, a pressão e a velocidade do tambor em gráficos separados, conforme se vê abaixo.

Cafés

Café de origem única
Nicarágua SHG EP Limoncillo lavado
Estate Finca Mierisch
Teor de umidade: 11.2%
Densidade: 821 g/L
Patrocinado pela InterAmerican Coffee

Cafés mesclados
Equador: Mescla Totalmente Lavada Chinchipe.
Teor de Umidade: 12%
Densidade: 818 g/L
Patrocinado pela Algrano Coffee

Kenya AA Top Kiamwangi Lavado
Teor de umidade: 10.4%
Densidade: 828 g/L
Patrocinado pela Sandalj Coffee

Honduras Região de Copan
Las Capucas
Totalmente lavado
Teor de umidade: 11.5%
Densidade: 838 g/L
Patrocinado pela Imperator Coffee

Resultados do Campeonato Mundial de Torra de Café 2022

A Cropster PARABENIZA todos os competidores! Os novos campeões do Mundial de Torra de Café são:
1: Felix Teiretzbacher, Áustria, 482.00 pontos
2: Simo Christidi, Noruega, 479.00 pontos
3: Wisnu Aji Pratter, Indonésia, 478.75 pontos

Veja o ranking completo 2022 no site do WCRC.

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Foi uma honra para a Cropster ter patrocinado este evento e disponibilizado o seu software para o campeonato mundial, além de vários concursos nacionais. Para nós, é uma satisfação apoiar os concorrentes, proporcionando ferramentas para ajudá-los a tirar o máximo de proveito dos cafés participantes. 

Acreditamos na colaboração e no compartilhamento de informações para o bem de todos. Por isso desenvolvemos formas de compartilhar informações no nosso sistema. Porém, se for trabalhar em perfis e blends proprietários, também dispomos de segurança avançada e ferramentas para resguardar as suas informações sigilosas. 

Passamos agora aos detalhes dos perfis dos vencedores do campeonato deste ano.

Perfis de Torra dos Três Primeiros Colocados

Usamos a função Roast Compare para ter um panorama de todas as curvas e detalhes das torras, tanto de blend quanto de origem única, dos três vencedores. Esta visualização mostra todas as temperaturas, gás, RoR e também o gráfico de modulação. Se estiver usando a Cropster ao vivo (em vez das imagens no blog), poderá passar o mouse sobre os gráficos para ver a evolução da temperatura, recalcular a RoR e muito mais. Caso queira conferir as curvas de torra a parte, publicamos as torras de cada vencedor separadamente logo abaixo da visualização do Roast Compare.

Relatório do Roast Compare - Origens únicas

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Relatório do Roast Compare - Mesclas

1º lugar - Felix Teiretzbacher
Receita do blend (mescla pré-torra: 80% Quênia, 10% Equador, 10% Honduras)

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2º lugar - Simo Christidi
Mescla pré-torra do Equador e Honduras
Mescla pós-torra com o Quênia

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3º lugar - Wisnu Aji
Mescla pré-torra do Equador e Honduras
Mescla pós-torra com o Quênia

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Entrevista com os Mestres de Torra

Felix Teiretzbacher
Fundador / Mestre de Torra
Felix Kaffee

Qual foi o seu método de torra para o origem única no WCRC? 
Foi um desafio para mim. Tinha gosto de um monte de castanhas. Tive uma boa torra de amostra representativa, ocasião em que o percebi menos frutado, corpo médio, sabores de castanha de caju torrada. Tentei desenvolvê-lo bem e não arriscar subdesenvolver esse café, caso contrário o gosto ficaria ruim. A primeira batelada foi um sufoco. Não conseguia ouvir o estalo, mas foi assim com todo mundo devido a proximidade das máquinas. Salvei esta torra como backup e queria ficar com algumas notas de sabor.
 
A segunda batelada saiu exatamente como eu queria, mas acabei mudando de ideia. Olhei para os grãos e para o tempo de desenvolvimento, então decidi que a primeira batelada tinha sido melhor. Submeti a primeira batelada aos jurados, por causa do tempo de desenvolvimento maior. Estou tentando conseguir um pouco deste café para a minha torrefadora, para trabalhar com ele depois e tentar extrair o máximo de proveito.

Qual foi o seu método de torra para o blend no WCRC?
80% Quênia / 10% Equador / 10% Honduras
Mescla pré-torra
Agi com cautela para me manter dentro do tempo e não ter problemas em misturar errado. Prolonguei um pouco mais para ter certeza de que os grãos latino-americanos não ficariam subdesenvolvidos, pois o Quênia estala mais rápido e o meu objetivo era obter um café bem desenvolvido. O Equador estava cheio de defeitos. Tive que catar muito antes de torrar. O hondurenho ficou sonso, mas tudo bem. Pensei em aumentar o corpo, mas achei melhor não. Não queria reduzir as qualidades do Quênia. O meu orientador e eu fizemos a degustação aberta e decidimos que essa seria a escolha mais acertada.

Qual foi o seu maior desafio na competição?
O meu maior desafio foi o origem única e a disposição física do evento. O lugar era barulhento. As máquinas estavam perto demais uma das outras. Foi muito difícil ouvir o estalo. Fiquei contente ao me deparar com um café tão bom como o Quênia. Pensei que seria um menos complexo, com menos notas de sabor. Foi difícil ouvir o estalo do café brasileiro disponibilizado para o teste. O fato de se poder provar as torras do teste também foi um problema. Todos passaram pelas mesmas dificuldades.

Sinceramente, desta vez senti falta da classificação do grão verde, pois eu tinha me preparado para isso.

Além de vencer, qual foi o aspecto mais gratificante da competição?
Sair dali como campeão foi maravilhoso, claro. Fiquei super feliz em rever a galera do café. A última vez que estive em um evento foi em 2019. Foi bom demais reunir todos os competidores na mesma sala e retomar a exposição World of Coffee. Tudo isso foi motivo de alegria para mim. Foi ótimo poder participar e estar ali abraçando as pessoas, vendo a circulação de gente, interagindo com os demais concorrentes... foi tudo de bom. O último campeonato em Taipei em 2019 era só de torra. O fato de terem colocado CIGS, Ibrik, Cup Tastes e Latte Art, fez com que o evento de 2022 ficasse movimentado em todos os estágios. Eu curti muito.

Se tivesse que passar por tudo de novo, faria algo diferente?
Cada decisão foi bem pensada. Fiquei bastante satisfeito com tudo. O resultado foi ótimo. Só tentaria melhorar o origem única (justamente o que vou fazer em casa)

O senhor trabalharia com esse café de forma diferente no seu estabelecimento comercial ou simplesmente seguiu como de costume na sua empresa?
Eu torraria de forma diferente, propositalmente para expresso ou filtro - mais direcionado. Nunca faria uma mescla com esses componentes. O perfil de torra seria outro. No concurso, torrei para degustação e na minha empresa eu torro para o paladar dos meus clientes.

Simo Kristidhi
Gerente de Produção
Solberg & Hansen

Qual foi o seu método de torra para o origem única no WCRC? 
Como em qualquer outra torra, aplico os meus princípios, os quais são amplamente divulgados, já que tenho palestrado sobre isso em diferentes fóruns. São princípios que se sustentam em 3 pilares fundamentais: a duração da torra, o desenvolvimento da cor e a RoR. Posteriormente, esses três pilares podem ser subdivididos em fases, números, valores, porcentagens, etc. Embora tivesse que adaptar o estilo nórdico para o concurso, torrei com base em meus princípios, mas modulei o desenvolvimento final para um nível que se encaixa melhor no WCRC do que nas competições nórdicas. Minha pontuação final no origem única foi provavelmente a mais alta.

Qual foi o seu método de torra para o blend no WCRC?
Tive que lidar com 2 ingredientes de baixa qualidade com muitos defeitos e grãos irregulares, e um componente com muita doçura, limpeza e muitos frutos vermelhos, mas com acidez extremamente alta. Em última análise, o meu plano era torrar o café de alta qualidade separado, como origem única, e os ingredientes de baixa qualidade como blend pré-torra. E no final misturar essas duas bateladas depois de prontas para completar o blend.

Qual foi o seu maior desafio na competição?
O meu maior desafio desta vez foi o torrador de amostra e o torrador de produção. As minhas amostras de torra ficaram um pouco mais escuras e a minha descrição final do produto não foi tão precisa quanto gostaria. Acho aí que perdi 1- 2 pontos, foi isso mesmo? Quanto à máquina, apesar de eu ter praticado bastante no torrador Giesen, ele não é lá o meu torrador predileto. Passo um sufoco para conseguir controlá-lo da forma que eu quero.

Qual foi o aspecto mais gratificante da competição?
Bem, não há nada melhor do que conhecer amigos do café de todas as partes do mundo. Estava com saudades após dois anos sem campeonato. Foi uma ótima sensação receber esse enorme apreço dos profissionais do café. Sou uma pessoa que adora compartilhar e ajudar, tive a oportunidade de apoiar alguns novos iniciantes, aconselhar outros e até mesmo aprofundar o debate com os veteranos. Resumindo, este é o lugar perfeito para interagir e adquirir conhecimento.

Se tivesse que passar por tudo de novo, faria algo diferente?
Na torra do blend, eu tentaria esfriar mais rápido a minha batelada pré-mesclada. Atrasei 5 segundos para iniciar o resfriamento e deixaria para torrar a outra parte do blend 5 segundos a menos. Esses 2 errinhos foram suficientes para eu perder 1-2 pontos. Por fim, consegui apenas 3 pontos por ser campeão mundial.

O senhor trabalharia com esse café de forma diferente na Solberg & Hansen, ou simplesmente seguiu como de costume na sua empresa?
Acho que na Solberg & Hansen estamos mais calibrados como equipe e temos uma mente mais aberta quando avaliamos o nosso café. Em outras palavras, o café torrado levemente claro é mais aceitável, pois possibilita diferenciar os atributos de sabor de um café para outro, de uma origem para outra, basicamente um meio para enaltecer as diferentes origens, processos, terroirs, etc. O que percebo durante as competições do WCRC é que  80% das xícaras ficam torradas demais, têm o mesmo sabor e apenas algumas se destacam. Busco diversidade na minha mesa de degustação, o que quero dizer com isso é que o Quênia deve se destacar como um Quênia, o Peru como um Peru, e o Colômbia como um Colômbia. E, por fim, conforme mencionei anteriormente, tenho os meus princípios quanto ao processo de torra e sigo firme com eles, mas para conseguir o resultado esperado, às vezes tenho que dar uma ajustada.

Wisnu Aji Pratter
Pratter Coffee Roaster

Qual foi o seu método de torra para o origem única no WCRC? 
Como os grãos utilizados são da América, escolho um tempo de torra mais lento para deixar o café mais complexo e com mais acidez.

Qual foi o seu método de torra para o blend no WCRC?
Para a mescla, escolhi o pós-blend. Apliquei o método de torra pré-blend para o café americano e o método de origem única para o café queniano. Torrei o café separadamente, pois a duração da torra dos grãos americanos é maior que a do café queniano. Foi uma tentativa de equilibrar ambos os sabores potenciais em cada café.

Qual foi seu maior desafio na competição?
Como foi a primeira vez que usei a máquina Stronghold, precisei fazer mais ajustes com ela.

Qual foi o aspecto mais gratificante da competição?
Sem sombra de dúvidas a experiência em si, além de conhecer pessoas da indústria mundial do café que têm em comum a mesma paixão.

Se tivesse que passar por tudo de novo, faria algo diferente?
Pode ser que sim. Afinal percebo que ainda tenho precariedades ao competir e realmente quero me superar.

O senhor trabalharia com esse café de forma diferente na Pratter Coffee Roasters ou simplesmente seguiu como de costume na sua empresa?
Para mim, determinar como vou torrar cada café depende mais dos grãos com quais vou trabalhar, máquinas diferentes e métodos de torra diferentes.

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